segunda-feira, 25 de maio de 2026

27 de maio: Dia Nacional da Mata Atlântica; Desmatamento diminui em 2025 é o menor índice histórico

O Dia Nacional da Mata Atlântica é na quarta-feira (27 de maio) e a data é uma importante lembrança da necessidade da preservação deste bioma de floresta tropical, que tem uma das maiores biodiversidades do planeta. E desta vez, há motivos para celebrar: em 2025, o desmatamento no bioma caiu ao seu menor índice histórico, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica que registra os números desde 2002.

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A Lei da Mata Atlântica completa 20 anos em 2026 e é outro motivo para comemoração, pois tem se provado eficiente para reduzir a devastação.

A Mata Atlântica se estende por 17 Estados do Brasil e se localiza principalmente próxima à costa do país. Assim, devido à histórica ocupação litorânea do território brasileiro, o bioma sofreu os feitos da urbanização e da agropecuária: hoje resta 24% da floresta original (dado da SOS Mata Atlântica).

Na Constituição Federal de 1988, a Mata Atlântica foi decretada como Reserva da Biosfera pela Unesco e Patrimônio Nacional, o que fortalece a legislação que a protege.

Desmatamento da Mata Atlântica tem mínima histórica em 2025

O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, criado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostra que a queda de 40% na supressão de vegetação nativa em 2025 (8.668 hectares, ante 14,3 mil hectares no ano anterior). Este é o menor índice desde 2011 e a primeira vez em que o desmate fica abaixo de 10 mil hectares.

O SAD (Sistema de Alertas de Desmatamento) Mata Atlântica, desenvolvido em parceria com MapBiomas e Arcplan, faz o monitoramento de matas menores e mais jovens. Em 2025, o SAD registrou queda de 28% no desmatamento (de 53,3 mil hectares em 2024 para 38,3 mil hectares). Este é o menor número desde o início dos registros, em 2002.

A área de vegetação perdida na Mata Atlântica em 2025 levou à emissão de 4,14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa – o equivalente às emissões anuais de 965 mil carros.

20 anos da Lei da Mata Atlântica

A Lei da Mata Atlântica completa 20 anos em 2026 e ao longo dos anos tem se provado eficiente para reduzir a devastação.

 A norma proíbe o corte ou a destruição da floresta nativa original, obriga a necessidade de permissão de órgãos ambientais para o corte de vegetação secundária (em estágio inicial, médio ou avançado de regeneração) e nas regiões metropolitanas limita o desmatamento para fins de loteamentos ou em pelo menos 50% da área.

A lei abrange a floresta em si e ecossistemas associados, como manguezais, restingas, campos de altitude e brejos interioranos.

As multas por violações podem chegar a R$ 50 milhões, além da propriedade ser imediatamente bloqueada para qualquer atividade econômica ou agrícola na área desmatada. O pagamento do valor cobrado não anula o processo e o infrator continua obrigado a fazer a reparação integral do dano plantando novas mudas.

Parques para preservação da Mata Atlântica 

Os parques são uma das formas de preservação do bioma e até na Avenida Paulista há remanescentes da floresta, como no Parque Mário Covas, que foi feito exatamente por causa do tombamento deste pequeno pedaço de Mata Atlântica original.

As grandes metrópoles do Brasil têm com parques em amplos espaços de floresta nativa, como o Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande em São Paulo, e o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em outras áreas verdes, a preferência é manter a vegetação original o máximo possível.

Nos últimos anos, há um esforço conjunto no Brasil para replantar ou substituir vegetação exógena (espécies de outras regiões do mundo) nos parques pela nativa, que auxilia na preservação do solo, da água e inclusive da fauna. 

Desafios da preservação da Mata Atlântica

O maior desafio é o equilíbrio entre a atividade econômica (a região concentra 80% do PIB nacional), a alimentação e o bem-estar dos moradores da região e a preservação do que há da Mata Atlântica. E a proteção da floresta é mais do que combater o desmatamento, é a manutenção da fauna, da qualidade da água e dos ambientes marinhos associados.

O bioma é responsável pelo abastecimento de água e energia de cerca de 70% de brasileiros que habitam sua área (possui 7 das 9 bacias hidrográficas do país) e a regulação do clima, que afeta a agricultura e a pesca da região.

Características da Mata Atlântica

Na Mata Atlântica existem cerca de 20.000 espécies vegetais (cerca de 35% das espécies existentes no Brasil), incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Essa riqueza é maior que a de alguns continentes (17.000 espécies na América do Norte e 12.500 na Europa).

As formações florestais são caracterizadas por um alto volume e uniformidade de chuvas:

- Ombrófila Densa
- Ombrófila Mista
- Estacional Semidecidual
- Estacional Decidual
- Ombrófila Aberta

Ecossistemas associados:
- restingas
- manguezais
- campos de altitude
- brejos interioranos
- encraves florestais no Nordeste

Entre as espécies da flora, estão: o Cedro, a Canela, o ipê, o Jatobá, o Jequitibá, a Palmeira, a Casuarina, o Jatobá Bico-de-pato, Esponjinha, Bálsamo, Camboatã, Guatambu, Angico-vermelho, Cotieira, Sapucaia, Seringueira, Pitanga, Araribá, Cajuzinho, Amoreira, Ingá, Caviúna, Cássia-grande, Uvaia, Fedegoso, Ipê-amarelo, Jacaré e Dedaleira.

Em relação à fauna, os levantamentos já realizados indicam que a Mata Atlântica abriga 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 espécies de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes.

Entre as espécies mais conhecidas da fauna da Mata Atlântica estão o mico-leão dourado, o bicho preguiça, a onça-pintada, a capivara, o tamanduá-bandeira, a jaguatirica, o tucano, o beija-flor, as araras, o jacaré-do-papo-amarelo, a rã-de-vidro, o pacu e o pintado.

Com informações de Ministério do Meio Ambiente,  SOS Mata Atlântica e Climainfo


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