sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Sabiá-laranjeira e seu cantar nas madrugadas paulistanas


É comum nesta época do ano o paulistano ouvir lá pelas 3h da madrugada o belo cantar, que chega a atingir incríveis 70 dB (decibéis, que é uma unidade de medida do nível do som/ruído, da intensidade sonora, do nível de pressão acústica)
 de um pássaro bem peculiar, o sabiá-laranjeiraPara se ter ideia do que isso representa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de ruído recomendável para a audição é de até 50 dB e, por exemplo, um liquidificador ligado atinge 75 dB.

O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) é uma ave comum na América do Sul e o mais conhecido de todos os sabiás, identificado pela cor de ferrugem do ventre e por seu canto melodioso durante o período reprodutivo. Habita originalmente florestas abertas e beiras de campos, mas como é uma espécie bastante adaptável e penetrou com sucesso nas áreas de lavoura e cidades, exigindo porém a proximidade de água. É uma ave territorial mas relativamente tímida, e seu canto melodioso, aflautado e frequente logo denuncia sua presença, podendo ser ouvido a mais de 1 km de distância. 

Seu canto é longo, podendo durar até dois minutos sem interrupção. A frase principal tem de 10 a 15 notas, mas ele é capaz de imitar as vocalizações de outras aves como o curiango e o joão-de-barro e assimilar trechos em seu próprio canto, em inúmeras variações. Canta principalmente no período reprodutivo, antes do amanhecer e ao anoitecer, para atrair a fêmea e demarcar seu território. Costumeiramente, o Sabiá-Laranjeira canta logo ao nascer do sol, ou pelo fim da tarde. No entanto, nas duas oportunidades, o faz sempre de dia.

No entanto, conforme reproduzimos a seguir do "Portal dos Pássaros" na internet, "em 2013 aconteceu aquele que é considerado uma das maiores polêmicas do mundo das aves nos últimos anos. Sem motivo aparente, e de uma vez, populações inteiras de Sabiá-laranjeiras, em diversas regiões da capital paulista trocaram o dia pela noite, e passaram a exibir seu canto madrugada adentro.

E claro, como não poderia deixar de ser, o antes amado canto da ave, passou a ser alvo do ódio de milhares de moradores da cidade de São Paulo que tiveram o silêncio de suas noites de sono interrompidos de maneira abrupta.

Claro, não há nada demais, exceto quando essa ave muda completamente os seus hábitos, inverte por completo o horário em que demonstra seus dotes de canto para todos. E claro, causa muita confusão, estranheza e incômodo para diversos moradores locais. 


Criado em 2013 pelo "Instituto Passarinhar", o projeto “A Hora do Sabiá” buscou mapear pelo Brasil todo os horários em que as aves desta espécie cantavam.

Assim, mais de 9 mil depoimentos foram entregues ao portal, até o ano de 2015, quando os resultados foram apontados. importante ressaltar que desse valor total, cerca de 1,9 mil registros sobre o comportamento dos sabiás vieram de moradores da cidade de São Paulo.
Os dados levantados pela pesquisa indicam que os pássaros da cidade, em média, costumam a cantar cerca de cinco horas antes do que os que residem no interior.
E por outro lado, só terminam sua cantoria mais de quatro horas do que fazem as aves de outras localidades, que são a grande maioria – e, assim, a regra. 

Assim, enquanto o mais comum é que elas cantassem no nascer do sol até o fim do dia, na cidade paulistana, a maior atividade de canto foi registrada, em média, às 3h da madrugada.

A grande conclusão ao qual esse relatório chegou foi de que, tal qual os humanos moradores da cidade, as aves também têm andado (ou voado) muito estressadas, e com sérios problemas para dormir.

Aliás, mais do que o trânsito, o maior vilão nessa história toda é o ruído gerado pelos veículos nas ruas de São Paulo. Segundo dados coletados pela CET – Companhia de Engenharia e Tráfego, a poluição sonora existente na cidade é bem grande. Normalmente, o nível de barulho nas áreas residenciais, costuma ficar entre 70 e 100 decibéis, o que é mais alto do que o sabiá-laranjeira atinge com seu canto: no máximo, 70 decibéis.

Vale lembrar que para diversas aves, o canto é uma questão de sobrevivênciaNo caso dos sabiás, eles cantam para atrair as fêmeas e para assustar outros machos. Ou seja, literalmente, cantar garante a reprodução da espécie.

Segundo o biólogo e fotógrafo Sandro Von Matter, responsável pelo estudo do "Instituto Passarinhar", existem ainda complicações mais sérias que podem acontecer em ocorrência dessa troca de horário na rotina dos pássaros. Para ele, a população de Sabiás-laranjeira da cidade de São Paulo está passando por um tipo de seleção natural, feita de modo artificial.
Isso porque, segundo ele, a insônia afeta toda a população de aves, uma vez que essa característica fora do comum está sendo transmitida de geração em geração.
O principal impacto sentido pela espécie pode ser em sua saúde, o que com certeza vai afetar negativamente sua expectativa de vida e reprodução".

Fotos: Pixabay 

Fontes do texto: Wikipédia e Portal dos Pássaros

3 comentários:

  1. O canto destas aves estão sendo Influenciadas pela ILUMINAÇÃO Artificial Urbana , principalmente a de cor amarela , que confunde os pássaros com o amanhecer, causando stress à espécie pela falta da penumbra da noite.
    Quem devia ter “ódio” seriam os pássaros , mas os humanos são sempre as vítimas da história..🤦🏻‍♀️

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    1. isso mesmo, a iluminação inclusive de led, que é bem forte, está tiramdo os bichos no retiro mais cedo

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  2. A NATUREZA é sábia dos pássaros VERDE Luzes; os habitués DAS Aves na região do.jd. Paulista TEM hora pra TUDO indicando aos Seres HUMANOS comportamentos.

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