terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Casa do Sítio da Ressaca e Entorno em São Paulo

A visita a Casa do Sítio da Ressaca e seu entorno, que ficam localizados no bairro do Jabaquara na Zona Sul da capital paulistafoi feita num domingo. Sua construção é 1719, segundo consta na verga da sua porta principal. A técnica original empregada, de origem árabe, foi taipa de pilão, utilizada nas paredes e muros e que consiste no forte apiloamento de terra úmida entre dois pranchões de madeira removíveis que, no taipal, se mantém de pé e afastadas entre si graças a travessas ou escoras. A taipa de pilão caracterizou todas as construções paulistas dos séculos XVI, XVII, XVIII e primeira metade do XIX, numa persistência cultural decorrente, sobretudo, do isolamento causado pela dificuldade de transposição da Serra do Mar.
Horário de funcionamento:
De terça a domingo das 9h às 17h
Recursos:
          Trilha Programação cultural

Telefone:
(11) 5011-7233    
Localização:
Rua Nadra Raffoul Mokodsi, 3, Jabaquara
Ver no mapa

Há as linhas de ônibus 576C-10 - Term. Santo Amaro – Metrô Jabaquara e a 5018-10 - Jabaquara – Shopping Interlagos que dão acesso ao local. Para saber outros números de linhas, fornecendo origem e destino, ligue para o telefone 156  da PMSP ou pelo site da Sptrans (clique aqui). A Estação Jabaquara do Metrô dista menos de 1 Km do local.

Não há estacionamento para veículos no interior do local, mas há facilidade para parar nas ruas próximas, atentando para a sinalização de trânsito. 

Infraestrutura
A Casa do Sítio da Ressaca, como hoje é conhecida, foi sede de um sítio localizado nas proximidades do antigo caminho de Santo Amaro, que era banhado pelo córrego do Barreiro, também chamado Fagundes e Ressaca.
Está bem próxima à Biblioteca Paulo Duarte e do Centro Cultural Jabaquara da Prefeitura de São Paulo, que têm uma intensa atividade sócio-cultural.

Não há restrições para animais domésticos, desde que os cães estejam em guias e focinheiras, estas para os mais bravos. No entanto, há restrições para o uso de bicicletas, patins, skates e assemelhados.

Durante a visita percebemos a existência de vigias no local, conferindo-lhe segurança

Sinopse Histórica
O Sargento-Mór Lopes de Medeiros foi primeiro proprietário do Sítio da Ressaca, então chamado Piranga. O nome Ressaca aparece pela primeira vez em 1780, registrado por Teresa Paula de Jesus Fernandes. Consta que em 1716, Maria de Vasconcelos mandou construir ali uma casa, mas os registros não dizem se esta seria a mesma que permanece até hoje. 
De 1860 a 1900, o sítio pertenceu a Felício A. Mariano Pagundes. Com a morte deste, seus herdeiros repartiram a propriedade. A parte que continha a casa foi vendida em 1908 para Antonio Cantarella e foi um sítio familiar até 1969 (Wikipédia)

Transcrevemos texto a seguir, conforme consta do Web Site do Museu da Cidade de São Paulo. "Situada à meia encosta de uma colina, a Casa data, provavelmente, de 1719, ano inscrito na verga de sua porta principal. Algumas de suas telhas são ainda originais e trazem inscrições do século XVIII, como a data de fabricação e o nome do oleiro. As portas e batentes, em canela preta, também são originais. A técnica construtiva empregada neste imóvel foi a taipa de pilão, que consistia em socar o barro com a mão de pilão entre pranchas verticais de madeira (taipal), formando-se assim as paredes externas com cerca de 50 cm de espessura; as paredes internas eram originalmente de pau-a-pique. Introduzida pelos portugueses, essa técnica de origem árabe foi amplamente utilizada pelos paulistas que, devido ao seu isolamento geográfico, dependiam essencialmente do barro como recurso para construção. 

A Casa do Sítio da Ressaca possui algumas peculiaridades em relação aos demais exemplares de casas bandeiristas existentes na cidade: a assimetria de sua planta, um único alpendre não centralizado na fachada principal e o telhado de duas águas. Seu último proprietário, Antonio Cantarella, responsável pela urbanização do bairro do Jabaquara, transformou o sítio em chácara, realizando seu loteamento em 1969. Esta modificação coincidiu com a chegada do metrô à região e a desapropriação de mais de um terço da área para instalação do seu pátio de manobras.

A Casa do Sítio da Ressaca teve a sua restauração iniciada em 1978, sob responsabilidade da Empresa Municipal de Urbanização (EMURB) e foi inaugurada em 1979. Sofreu um incêndio parcial em 1986, passando novamente por obras de restauro e conservação em 1987/88, 1990 e 2002. Foi ocupada de 1991 a 2002 pelo Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro. Atualmente abriga exposições e atividades voltadas à memória da presença afro-brasileira na região de São Paulo, bem como aos fazeres e manifestações da cultura popular".


Informações arqueológicas sobre o último restauro
(Extraídas de painel exposto na Casa do Sítio da Ressaca)
O imóvel foi restaurado em 1978/9 à época da construção do pátio de manobras do metrô. A casa já era conhecida pelo então Departamento de Cultura da prefeitura desde 1938, quando fotógrafo Benedito Junqueira Duarte fotografou a casa (v. abaixo). Foi tombada pelo Condephaat em 1972 e em 1991, pelo Conpresp.

Ao se iniciar a restauração, a casa encontrava-se em situação muito desfavorável, equilibrada sobre um resto de terreno que sobrara do loteamento do Sítio da Ressaca (v. foto a seguir). O sítio foi praticamente refeito numa tentativa de recompor o relevo original da chácara.

Sob coordenação da arqueóloga Marlene Suano realizou-se em 1978/9 pesquisa arqueológica no imóvel, abrangendo pontos estratégicos da casa. 
A pesquisa compreendeu a abertura de cortes no piso em busca de evidências de estruturas arquitetônicas de objetos que testemunhassem o cotidiano de quem viveu na casa. Os cortes atingiram profundidade de até 80 cm. Coletar os objetos como botões metálicos, conchas fluviais, moedas, tampas de garrafas de vidro, louça branca, uma peixada de porco e outros fragmentos de ossos, de ferro, além de pedaços de carvão e de gravetos carbonizados. Os vários orifícios encontrados no chão de terra batida denotam a utilização de estacas que provavelmente apoiavam redes de dormir ou utensílios domésticos. Exatamente neste ambiente, onde propositalmente a equipe de restauradores deixou um trecho sem revestimento no piso, pode se observar um pedaço do alicerce de taipa de uma antiga parede que existia no local (v. foto abaixo).


Há um vídeo oficial da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que conta um pouco da história do local. Veja-o aqui.

Informações gerais sobre a Casa do Sítio da ressaca podem ser obtidas pelo telefone (11) 5011- 7233.

Vale a pena
  • Visitar a casa e seus cômodos, atentando para detalhes da construção;
  • Percorrer exposições culturais que contemplam os fazeres e as manifestações da cultura popular em seu interior (no dia da visita havia uma exposição temporária sobre Luís Gama) e
  • Caminhar pelos jardins adjacentes à casa, admirando a vegetação existente.
Veja vídeo feito no local, quando da visita (sugerimos "clicar" no ícone do "YouTube" para uma melhor visualização).


A seguir, veja fotos tiradas no local no dia da visita.

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