sexta-feira, 14 de junho de 2013

Parque Güell em Barcelona - Espanha

Visitamos em duas quartas-feiras o Parque Güell, que é um grande parque urbano com vários elementos arquitetônicos, situado no distrito de Gràcia da cidade de Barcelona (Espanha), na vertente virada para o Mar Mediterrâneo do Monte Carmelo. Sua área compreende cerca de 172.000 m²Originalmente destinado a ser um empreendimento imobiliário, foi concebido pelo arquiteto Antoni Gaudí, expoente máximo do modernismo catalão, por encomenda do empresário Eusebi GüellFoi construído entre 1900 e 1914, revelando-se um fracasso comercial, tendo sido vendido a prefeitura do município de Barcelona em 1922 e inaugurado como parque público em 1926

Para chegar ao local, no caso de transporte público, use o metrô (vá para a estação de metrô "Lesseps" da linha L3 e siga as indicações dos painéis turísticos) ou as várias linhas de ônibus disponíveis. As que têm paradas mais próximas à entrada do parque são as de números 24, 31, 32, H6 e a 92. O ônibus turístico "Barcelona Bus Turístic Línea Azul" também pode ser usado para ir ao parque.

Caso utilize um carro, consulte o link "Ver no mapa" no box abaixo e trace seu roteiro. Há uma série de estacionamentos pagos nas ruas próximas à entrada do parque.



Horário de funcionamento:
8h às 21h
Recursos:
        Playground  TrilhaProgramação cultural Acessibilidade
Telefone:
     00 XX 34 934 091 831    
Localização:
Career d'Olot, 5, Gràcia, Barcelona
Ver no mapa
Infraestrutura
Playgrounds para crianças, fontes, bar, livraria, museu, pista para patinação, áreas para cães e sanitários, que estavam limpos e conservados nos dias das visitas.

Para consultar a previsão do tempo em Barcelona, acesse aqui.

Flora e constituição da área
O parque foi implantado num terreno "devoniano" (da era paleozóica) e é formado por estratos de ardósia e calcário. Quando Güell comprou o terreno, este estava praticamente devastado, sem qualquer vegetação - como indicava o seu nome, Montanha Pelada – à exceção de um ou dois pinheiros, um par de alfarrobeiras e arbustos baixos. Gaudí mandou plantar nova vegetação, escolhendo sobretudo espécies mediterrâneas autóctones, as que melhor se adaptavam ao terreno: pinheiro, alfarrobeira, azinheira, eucalipto, palmeira, cipreste, figueira, amendoeira, ameixoeira, mimosa, magnólia, agave, lentisco, hera, maqui, carrasco, retama, cisto, lavanda, salva, entre outras. De forma a minimizar a intrusão das estradas, vencendo o declive da montanha sem recorrer a grandes escavações, Gaudí desenhou-as como estruturas salientes da encosta, suportadas por pórticos, muros de suporte e viadutos concebidos usando pedra rústica extraída do local. Algumas da estradas são ainda ladeadas por colunas, muretes e outros elementos arquitetónicos, igualmente concebidos com pedra rústica extraída do local, de forma a integrá-las perfeitamente na paisagem. A zona central do parque é constituída por uma imensa praça aberta de forma oval parcialmente suspensa, delimitada do lado sul por um banco ondulante com vista panorâmica sobre a cidade. Sob a praça situa-se a Sala Hipostila, uma espécie de grande alpendre suportado por dezenas de colunas reminescentes da antiguidade clássica, onde termina uma escadaria monumental com três fontes que conduz à entrada principal do parque, com os seus característicos pavilhões do mais puro estilo gaudíniano. Numa colina isolada num ponto alto do monte, Gaudí construiu ainda um monumento em forma de Calvário.

Diversas estruturas do parque, incluindo as abóbadas dos pavilhões da entrada, o teto da Sala Hipostila e o Banco Ondulante, são compostas por elementos pré-fabricados e posteriormente montados nos seus lugares e ligados uns aos outros, uma técnica construtiva inovadora para a época. Igualmente inovador é o fato do banco ondulante e de muitas das superfícies da sala hipostila, da escadaria e dos pavilhões da entrada estarem cobertas com pedaços de cerâmica e vidro formando uma espécie de mosaico colorido, típico do modernismo catalão, conhecido como "trencadís". O uso de azulejos partidos é uma técnica decorativa tradicional da Catalunha, que Gaudí decidiu usar em resposta aos anúncios publicitários da época, feitos com azulejos. Diz-se que por indicação de Gaudí os trabalhadores tinham por hábito recolher os pedaços de cerâmica e vidro que encontrassem no lixo a caminho da obra e tornou-se costume para os barceloneses empilhar junto ao parque a cerâmica, louça e porcelana que se partia para ser reciclada na construção. Ainda assim, os registros do parque indicam que foram trazidas grandes quantidades de mosaico da cidade de Valência e uma revista da época comentou que não era todos os dias que se viam trinta homens partindo azulejos em pedaços e outros trinta voltando a juntá-los.

Não há restrições para animais domésticos, desde que os cães estejam em guias e focinheiras, estas para os mais bravos.

Há um bar/lanchonete no local que serve bebidas e alimentos aos visitantes.

Quanto à segurança geral do parque, observamos vigias no dia da visita, percorrendo o local. Porém deve-se ficar atento aos "carteiristas" que, infelizmente, são comuns em áreas turísticas de Barcelona, mantendo seus pertences bem guardados.

História do parque
O parque deve o seu nome a Eusebi Güell, Conde de Güell, um rico empresário catalão membro de uma influente família burguesa de Barcelona, que foi quem idealizou construir uma urbanização de luxo na encosta de um monte nas imediações da cidade de Barcelona, então conhecido como Montanha Pelada (atualmente denominado Monte Carmelo). Para o efeito, Güell adquiriu as duas fazendas adjacentes que o ocupavam. Güell residiu entre 1906 e 1918 (data da sua morte) na grande casa de campo pertencente a uma das fazendas, a Casa Larrard, situada no recinto do parque, que Gaudí remodelou entre 1906 e 1922.
O local escolhido por Güell para a urbanização era desafogado, calmo e com vista sobre a cidade e o mar, e a distância ao centro de Barcelona assegurava uma considerável privacidade e distanciamento da agitação e da poluição características das jovens cidades industriais. O conde tinha experiência com a organização laboral britânica, como se verificou no seu projeto de colônia operária, a Colónia Güell em Santa Coloma de Cervelló, e tinha em mente um projeto ao estilo das cidades jardim concebidas por Ebenezer Howard (o que também fica manifesto na grafia inicial Park Güell). Para as zonas ajardinadas, Güell inspirou-se igualmente nos Jardins de la Fontaine da cidade de Nîmes, onde viveu na sua juventude.
Güell encomendou o projeto ao arquiteto catalão Antoni Gaudí, com quem mantinha uma forte relação pessoal e profissional desde 1878, quando ficara impressionado com o seu talento ao ver desenhos arquiteturais realizados por este na Exposição Universal desse ano em Paris. O conde foi o principal mecenas de Gaudí ao longo da sua carreira, encomendando-lhe várias das suas obras mais conhecidas, como o Palácio Güell e a Cripta da Colónia Güell. Juntamente com Gaudí trabalharam no parque alguns dos seus habituais colaboradores, como Josep Maria Jujol, Francesc Berenguer, Joan Rubió e Llorenç Matamala. As obras ficaram por conta do empreiteiro Josep Pardo i Casanovas.

Os trabalhos iniciaram-se em 1900, mas apesar das vantagens e preços razoáveis oferecidos o projeto foi um fracasso comercial. Não se sabem ao certo os motivos que levaram a isso, mas existem numerosas teorias. Uma das mais frequentemente apontada é que os barceloneses teriam considerado que a área, então pouco urbanizada e sem transportes públicos, ficava demasiado longe do centro de Barcelona. No entanto, isso não impediu o bairro de classe alta de La Salud, adjacente ao Parque Güell, de prosperar. Das 60 parcelas triangulares com 1.000 a 1.200 m² para construção de moradias (ocupando cerca de 35% da área total do parque), somente foram vendidas duas. Uma delas é La Torre Rosa, construída para servir como casa-modelo da urbanização e onde o arquiteto residiu entre 1906 e 1925, desenhada por Francesc Berenguer (1904). A outra é a Casa Trias, propriedade do advogado Martí Trias i Domènech, amigo de Güell e Gaudí, obra do arquiteto Juli Batllevell (1906). Güell, Gaudí e Trias mudaram-se para o Parque Güell no mesmo ano (1906).

Quando percebeu que o seu projeto era um fracasso, Güell decidiu abrir o parque de forma limitada, permitindo ao público em geral passear livremente no seu interior mediante o pagamento de uma pequena taxa de admissão e acolhendo grandes eventos sociais, como por exemplo o Primeiro Congresso Internacional da Língua Catalã (1906) e um grande evento de angariação de fundos para ajudar as vítimas das mais recentes cheias ocorridas na Catalunha (1907). As obras continuaram nas zonas comuns da urbanização até serem paralisadas em 1914, após o início da Primeira Guerra Mundial. Após a morte do Conde Güell (1918), os seus herdeiros venderam o parque ao Município de Barcelona em 1922 para o converter em público, tendo este sido inaugurado como parque público em abril de 1926.

Em 1969 foi nomeado Monumento Histórico Artístico de Espanha e em 1984 foi classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, incluído como uma das "Obras de Antoni Gaudí".

Para entrar em contato com a administração do local, ligue para 00 XX 34 934 091 831 (caso esteja fora da Espanha) ou 902 200 302 (de qualquer ponto da Espanha). O e-mail para contato é o parkguell@bsmsa.cat

Vale a pena
  • Observar com atenção os Pavilhões que ladeiam a entrada do parque, que são do mais puro estilo produzido por Gaudí, com uma estrutura orgânica reflexo do profundo estudo que o arquiteto fazia da natureza;
  • Subir, logo ao entrar no parque, a Escadaria de duplo tramo com três lances de escadas e revestida com "trencadís" (técnica decorativa que consiste na criação de uma espécie de mosaico com pedaços irregulares de cerâmica ou outros materiais de fácil fragmentação), que nos conduz à Sala Hipostila. Aprecie a escultura "O Dragão"
    cuja fonte é alimentada por água proveniente da cisterna existente sob a sala citada;
  • Caminhar pelo Sala Hipostila, atentando para suas colunas e teto, onde, neste último, estão as belas rosetas desenhadas pelo arquiteto e escultor Josep Jujol;
  • Passear pela Praça Oval que em sua metade sul é suportada pelas colunas da Sala Hipostila e delimitada por um Banco Ondulante com cerca de 150 m de comprimento revestido com "trencadís", enquanto a outra metade está assentada na encosta da montanha;
  • Percorrer o Museu Gaudí, onde viveu por quase 20 anos o famoso arquiteto, que conta com uma ampla coleção de seus objetos pessoais e obras e de alguns dos seus colaboradores, distribuídas por três pisos;
  • Visitar o Monumento ao Calvário que tem planta poligonal, com dois lances de escadas simétricos que conduzem ao topo, onde se situam três cruzes e de onde se pode desfrutar uma excelente vista panorâmica de Barcelona e
  • Caminhar pelos 3 Km de estradas destinadas inicialmente a servir as casas no interior do parque e que foram desenhadas por Gaudí como estruturas salientes da encosta com pórticos ou muros de suporte e viadutos suficientemente largos para permitir a passagem de carruagens, com caminhos para pedestres independentes sob as arcadas formadas por estes, de forma a separar o trânsito pedestre do trânsito de veículos. Observar nessa caminhada a flora constituída de espécies mediterrâneas e as edificações do parque.
Veja vídeo feito no local, quando da visita (sugerimos "clicar" no ícone do "YouTube" para uma melhor visualização).



A seguir, fotos tiradas no local ("clique" em qualquer uma das fotos e será aberto, automaticamente, o modo de exibição "Tela Cheia" de seu computador. Por meio de suas teclas "Setas" (➡⬆⬅), você pode visualizar nesse modo de exibição, todas as fotos em boa resolução).


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